Capítulo 58

11 de julho de 2009
Capítulo 58

Antes do Cine Paratodos, eu mantive o serviço de alto-falantes na Praça de Conchal, a exemplo do que implantei aqui em Mogi Mirim e, pelo som da praça, punha para tocar os tangos de Carlos Gardel, oferecendo-os para uma linda moça por quem me interessei. Eu sabia que um espanhol, antigo namorado da jovem, continuava a investir, mas não iria com ela se casar. A linda moça não mais o queria, mas ele continuou a assediá-la assim mesmo e, pior, com a retaguarda dos irmãos dela, que não me aceitavam. Quer dizer: os irmãos dela aceitavam o espanhol endinheirado e sua obscura história, mas não aceitavam a mim, só porque era pobre, desquitado e pai de três filhos. Só por isso?  Bem, tinha a meu favor o fato de ser um esforçado trabalhador, dinheiro sobrando, não tinha mesmo.

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Capítulo 57

13 de junho de 2009
Capítulo 57

Em Conchal, tinha feito bons amigos. Estava lá trabalhando desde 1955 e minha amizade com o Padre Alberto Velloni me abriu uma porta e oportunidade de negócios. Aproveitei a minha experiência com o SAF “Vitória”, da Praça Rui Barbosa de Mogi Mirim e implantei o mesmo sistema em Conchal, utilizando-me do prédio da Igreja e também do Salão Paroquial.
Aristides Trentin, um grande amigo mogimiriano, era um comerciante excelente e vislumbrou a oportunidade de vender televisores em preto & branco para os conchalenses. Com isso, o serviço de alto-falantes da praça capengou, literalmente, porque os moçoilos de famílias abastadas não saíam mais de casa.

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Capítulo 56

30 de maio de 2009
Capítulo 56

Eu havia me separado de minha esposa e morria de saudade de meus filhos. Eu os via raramente e isso incomodava no meu âmago, deixando-me, por vezes, muito transtornado. A saudade é um sentimento difícil de dominar e me deixava melancólico, incompleto, pois privado da presença de minhas crianças tão queridas.

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Capítulo 55

16 de maio de 2009
Capítulo 55

Antônio Carlos de Abreu Sampaio foi vítima de segundo enfarto em 1976 e fui à Santa Casa para visitá-lo. Percebi que ele não estava bem. Lamentei o estado em que se encontrava o meu sócio, mas nada podia ser feito por ele. Saí da Irmandade de Santa Casa de Misericórdia muito chateado e fui até Itapira, pois resolvi atender os médicos- diretores da Clínica Santa Fé, onde exibia filmes ao pacientes em algumas tardes da semana. Pelas viagens a São Paulo, estreitei o relacionamento com os responsáveis pelas distribuidoras dos estúdios Warner Bross, Columbia Pictures e Metro-Goldwyn-Mayer. Desta forma, podia locar os rolos de filmes 16 milímetros e exibir em vários lugares com os projetores portáteis que adquiri. Quando voltei de Itapira, recebi a notícia do falecimento de Sampaio, dei os pêsames aos familiares e fui ao sepultamento.

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Capítulo 54

18 de abril de 2009
Capítulo 54

O “Terça tem Show” do Grêmio Mogimiriano ia de vento em popa, sempre com a casa lotada e muita movimentação de patrocinadores. A equipe funcionava muito bem.

Tardou, mas veio o ciúme de meu sócio: “O Pintaca está ganhando muito dinheiro às custas da Rádio. Melinho, procure saber quanto rende a porta e o patrocínio.”

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Capítulo 53

4 de abril de 2009
Capítulo 53

Eu apresentava o programa de auditório, aos domingos, anunciando assim: “Domingo Alegre: um programa diferente para o agrado de toda gente.”
Às terças-feiras, apresentava no Grêmio Mogimiriano um dos melhores programas de auditório do interior “Terça tem Show”, a partir das 20 horas, após a Hora do Brasil, com três horas de duração.

A primeira parte do show trazia a apresentação de calouros infantis e adultos; a segunda parte, os melhores cantores e cantoras da cidade, como Má Barbeiro cantando músicas de Nelson Gonçalves, Francisco Silva cantando músicas de Francisco Alves, Antônio Bruno com músicas de Vicente Celestino, Cidinha e seus sambinhas, boleros e guarânias, a senhorinha Salvatto e seus tangos, o Nelson da Rua Dr. José Alves trazendo belas canções, o Soldado Ananias com músicas de Jorge Veiga e Francisco Minervino & Filho na harpa e violão.

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Capítulo 52

21 de março de 2009
Capítulo 52

Eu estava de novo nas minhas duas casas: a da família e a da Rádio. Deparei-me com os ótimos locutores Geraldo Lima e Simão Horácio Bottesi. Quero dizer que José Renato Gonçalves foi um dos melhores radialistas que encontrei na vida. Contratamos algumas moças para operar a mesa e organizei o trabalho do meu jeito, fazendo reportagens internas e externas, movimentei a emissora por todos os bairros mogimirianos, incrementei o rol de patrocinadores, que confiavam em mim, pois me conheciam desde criança, sempre tive credibilidade. Eu estava no auge de minha vida laboral, era reconhecido pelo meu trabalho e pude ler no Annuário de 1952, transcrito agora ipsis litteris:

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Capítulo 51

28 de fevereiro de 2009
Capítulo 51

Eu estava longe da Rádio Cultura, realizando negociações e cobranças para os Irmãos Pedrosos e, de volta a Campinas, após ter mediado conversações de compra e venda de rádios em outras cidades e feito algumas cobranças para os meus amigos, apresentei-me na Rádio Brasil, onde me esperavam os Irmãos Pedrosos. Prestei-lhes as contas, fiz relatos sobre tudo e eles me indenizaram com a quantia de vinte e quatro mil cruzeiros, uma grande soma à época. Eu os agradeci, agradeci a Deus pela nova fase na minha vida e, ao sair, deparei-me com Antônio Carlos de Abreu Sampaio, que sabia que eu estaria no local, naquele dia e hora. Ele me olhou nos olhos e rogou: “- Preciso de você, meu amigo. Estou com problemas na nossa Rádio Cultura. Resolva a minha situação, Pintaca.” Eu senti o estômago embrulhar, estava angustiado e contrariado, mas disse-lhe: “O que você quer agora, Sampaio?”

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Capítulo 50

7 de fevereiro de 2009
Capítulo 50

Eu estava fora da Rádio Cultura de Mogi Mirim, a menina de meus olhos. Telefonei para um amigo em São Paulo e fui trabalhar com fotografias, revelação, fixação, cópias e ampliações, pois meu padrinho de casamento e amigo Mauro Antunes Garcia havia me ensinado muito do ofício. O trabalho com fotos me conduziu ao laboratório de filmes 16 mm da Avenida Paulista, que também praticava o serviço de orquestra invisível. Explico: nos bailes das mansões paulistas, ao invés de orquestra ao vivo, a firma instalava uma rede de falantes, os quais ficavam escondidos atrás dos móveis das casas. O amplificador e a vitrola ficavam na cozinha, onde um operador dispunha os discos 78 rotações por minuto. A festa durava até a manhã do outro dia, todos dançavam e pediam músicas. O moço queria dançar tango e me dava uma gorjeta, a moça queria dançar bolero, o noivo dela me dava gorjeta. O serviço era perfeito, a dona da mansão pagava muito bem por ele e me dava gorjeta. Quando o serviço acabava, recolhíamos os aparelhos e eu ia para a pensão da Praça João Mendes, para contar a féria. Dia seguinte, voltava a Mogi Mirim para ver a família.

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Capítulo 49

24 de janeiro de 2009
Capítulo 49

Eu mantinha uma coluna bimestral na revista “A Paulistinha” e, na edição setembro/outubro de 1951, na página 23, publiquei: “Não resta dúvida que o rádio no interior luta com grandes dificuldades. Se já impossibilitam aos diretores a feitura de grandes realizações as parcas possibilidades financeiras das pequenas cidades interioranas, chega a causar desânimo o pouco apoio que os poderes competentes oferecem às emissoras. Não hesitamos em afirmar que as rádios-emissoras são mesmo esquecidas; melhor, são lembradas apenas nos momentos em que delas necessitam. Aliás, muita falta de compreensão persiste ainda no espírito de muitos… Anima-nos, porém, o desejo de trabalhar muito, na certeza de que, em data muito próxima, ocupemos a posição de destaque que nos está assegurada no cenário de todos os palcos da coletividade. O. BRONZATTO.”

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