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	<title>Pintaca - Orlando Bronzatto</title>
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		<title>Grafia de Mogi Mirim, a Lei</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 19:10:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Webmaster</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[O Município de Mogi Mirim agora dispõe de lei sobre a grafia da cidade. Trata-se da Lei nº 4.974, de 11 de junho de 2010.
O processo não foi manso, como já se sabia.  O Vereador Osvaldo Aparecido Quaglio, atendendo à solicitação do cidadão Rogério Manera, protocolou o Projeto de Lei nº 40, de 12 de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Município de Mogi Mirim agora dispõe de lei sobre a grafia da cidade. Trata-se da Lei nº 4.974, de 11 de junho de 2010.</p>
<p>O processo não foi manso, como já se sabia.  O Vereador Osvaldo Aparecido Quaglio, atendendo à solicitação do cidadão Rogério Manera, protocolou o Projeto de Lei nº 40, de 12 de fevereiro de 2010, dispondo sobre a oficialização da grafia do Município como “Mogi Mirim”.  <span id="more-207"></span>Tal processo foi instruído com vasta documentação explicativa e também contou com o documento da Prefeitura de Mogi Guaçu – Lei nº 2.722, de 20.3.91, instituindo “Mogi Guaçu” como a grafia oficial daquela cidade.</p>
<p>Foram apensados pareceres da UOL “Dicas de Português”, de lavra do Professor Paulo Ramos, bem como de fotos das placas de trânsito nas rotatórias SP – 147, SP-157 e SP-340, todas trazendo o nome da cidade grafado com “G”.</p>
<p>Também podemos ver nos autos cópia de dicionário onde aponta Mogi Mirim com “G”, bem como pareceres de vários professores de Português, bem como de reportagens do jornal “O Popular”, edições de 6 e 13 de março de 2010, de lavra dos senhores historiadores Nelson Patteli Filho e Frederico Werner Lorentzen Joesting.</p>
<p>De outro lado, também podemos ver páginas do jornal “A Comarca”, de 13.8.67 e 18.9.69, trazendo o nome com “J”, bem como um extenso rol explicativo de uso do hífen e da letra “J” em palavras com o sufixo “mirim”, como ordena o Acordo Ortográfico em vigor. Mesma corrente defende o Professor José Flávio Juliani Citélli em sua obra “Contos Mojimirianos”. Há cópias de documentos do Executivo e do Legislativo, datados de 1969, onde se vê grafada a forma “Moji Mirim”.</p>
<p>Os autos trazem um parecer da Academia Brasileira de Letras, datado de 14.4.2010, respondendo à questão formulada pelo Vereador Professor Moacir Genuario, Presidente da Comissão de Justiça e Redação; “Moji-mirim” é a forma correta para aqueles acadêmicos.</p>
<p>Em 4 de maio de 2010, vencido do prazo das Comissões Permanentes, o Presidente da Câmara, Vereador Osvaldo Aparecido Quaglio, comunicou ao Vereador Professor Moacir Genuario que designou o Vereador José Fernandes Filho como relator especial ao Projeto de Lei nº 40, com supedâneo no art. 53, § 3º do Regimento Interno. No dia seguinte, este exarou o parecer favorável ao Mogi Mirim com “G” e o processo foi à pauta da 16ª Sessão ordinária, de 10 de maio de 2010, em primeiro turno.</p>
<p>O Vereador Rogério Antônio Esperança apresentou emenda no sentido de oficializar o nome da cidade como “Mojirimim” e instruiu sua emenda com um abaixo-assinado dos professores ativos e aposentados da rede pública de ensino estadual e municipal, pública e privada. A emenda foi votada em destaque e nominalmente, onde se pode conhecer da rejeição por doze votos favoráveis e quatro votos contrários, na 16ª Sessão Ordinária, de 10.5.10. Votaram SIM os Vereadores Professor Cinoê Duzo, Professora Márcia Róttoli de Oliveira Masotti, Professor Moacir Genuario e Rogério Antônio Esperança. Votaram NÃO os Vereadores Benedito José do Couto, João Antônio Pires Gonçalves, Professor João Luís Andrade Teixeira, José Fernandes Filho, Laércio Rocha Pires, Luís Gustavo Antunes Stupp, Luís Roberto Tavares, Luiz Carlos Fernandes Cortez, Marcos Bento Alves de Godoy, Doutora Maria Alice Fernandes Mostardinha, Professora Maria Helena Scudeler de Barros e Doutor Orivaldo Aparecido Magalhães.</p>
<p>A seguir, foi o Projeto de Lei nº 40/10 à discussão e votação, sendo proclamado o seguinte resultado: aprovado por dez votos favoráveis e seis votos contrários. Votaram SIM os Vereadores Benedito José do Couto, João Antônio Pires Gonçalves, Professor João Luís Andrade Teixeira, José Fernandes Filho, Laércio Rocha Pires, Luís Roberto Tavares, Luiz Carlos Fernandes Cortez, Doutora Maria Alice Fernandes Mostardinha, Professora Maria Helena Scudeler de Barros e Doutor Orivaldo Aparecido Magalhães. Votaram NÃO os Vereadores Professor Cinoê Duzo, Luís Gustavo Antunes Stupp, Professora Márcia Róttoli de Oliveira Masotti, Marcos Bento Alves de Godoy, Professor Moacir Genuario e Rogério Antônio Esperança.</p>
<p>O Vereador Osvaldo Aparecido Quaglio não exerceu o voto, por força regimental.</p>
<p>Após ampla e vigorosa discussão, viu-se, então, a aprovação do projeto em primeiro turno por dez votos favoráveis e seis votos contrários, sendo encaminhado à deliberação da Câmara em segundo turno, na 17ª Sessão ordinária, de 17.5.10, onde recebeu a aprovação por doze votos favoráveis e quatro votos contrários.</p>
<p>Tal resultado foi oficiado ao Prefeito Carlos Nelson Bueno em 18.5.10, para que sancionasse a lei. Como este se silenciou, a Câmara aguardou o prazo regimental e ela mesma promulgou a lei, publicando-a em 11 de junho de 2010 pelo jornal “O Popular”, edição de 12.6.10, pondo fim à celeuma de anos.</p>
<p>Após a tramitação formalmente regular, a lei nº 4.974, vigente desde 11 de junho de 2010, estabelece a oficialização da grafia do Município como “Mogi Mirim”, pela vontade da maioria dos representantes legítimos da grei mogimiriana, em decisão soberana do plenário do Legislativo.</p>
<p>Mogi Mirim, 24 de junho de 2010.</p>
<p>Rosana Julia Megiatto Bronzatto de Azevedo<br />
Valter José Polettini</p>
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		<title>Grafia de Mogi Mirim</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 19:03:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Webmaster</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[O Município de Mogi Mirim não possui lei que disponha sobre a grafia da cidade e justamente por isso,  os tipos de grafias são diferenciados. Esse fato indigna as pessoas daqui e de outras cidades, que questionam: “Mas é Mogi com “g” ou com “j”? É junto ou separado?
A discussão voltou a ter lugar em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Município de Mogi Mirim não possui lei que disponha sobre a grafia da cidade e justamente por isso,  os tipos de grafias são diferenciados. Esse fato indigna as pessoas daqui e de outras cidades, que questionam: “Mas é Mogi com “g” ou com “j”? É junto ou separado?<span id="more-201"></span></p>
<p>A discussão voltou a ter lugar em agosto de 2001, quando o professor de Língua Portuguesa José Flávio Juliani Citélli publicou em “A Comarca” um artigo que, segundo ele, colocava fim às dúvidas em relação à grafia do nome da “Cidade Simpatia”, apontando como correta a grafia “Mojimirim”.</p>
<p>O cidadão Manoel Lorenzetti de Mattos redigiu um manifesto, citando que os estudiosos dos documentos históricos comprovavam que, a partir de 1647, Mogi sempre foi grafado com “g”, desde a primeira denominação &#8211; “Mogi dos Campos”. Lorenzetti defende a preservação das características do nome, lembrando que desde o período colonial se escreve Mogi com “g”.</p>
<p>O Jornal “A Comarca” se apresenta como um referencial em relação ao nome da cidade, pois começou a circular em 1900, quando ainda se grafava ‘Mogy-Mirim”. Essa grafia foi mantida pelo jornal até 1941, quando o “y” foi substituído por “i”, mantendo-se o hífen e usando o “mirim” com legra minúscula, assim: “Mogi-mirim”. Em 1944, passou a usar “Mogi-Mirim” e, recentemente, passou a usar “Mogi Mirim” e posiciona-se: “A Comarca vai manter a grafia do Mogi com “g” e até admite um estudo mais aprofundado para a questão de usar ou não o hífen. (“A Comarca”, edição de 28.9.01, Pág. B4).</p>
<p><a href="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/ortografia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-205" title="Grafia de Mogi Mirim" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/ortografia.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Em 8 de outubro de 2001, foi protocolado o Requerimento nº 253, de autoria do Vereador Fábio de Jesus Mota, encaminhando ao Prefeito Dr. Paulo de Oliveira e Silva o pedido do cidadão José Flávio Juliani Citelli, que encaminhe ofício ao departamento competente para que possa obter, no ato de licenciamento, placa para seu veículo recém-adquirido com a grafia Mojimirim &#8211; SP. O cidadão se valeu da Câmara porque disse ter sido informado pela seção de emplacamento que existe, nos arquivos, um ofício do então Prefeito, datado de 1991, solicitando que nas placas fosse grafado “Mogi Mirim &#8211; SP” e, para ele, os mogimirianos deveriam ter liberdade de escolha da grafia da cidade ao emplacarem seus veículos. A propositura do Vereador Fábio de Jesus Mota foi aprovada por unanimidade dos Senhores Vereadores.</p>
<p>No mesmo dia 8 de outubro, a Vereadora Engenheira Marilene Mariottoni protocolou o Requerimento nº 249, aprovado por unanimidade dos Vereadores, solicitando que o Prefeito Paulo de Oliveira e Silva promovesse reunião com os Conselhos de Cultura e de Educação, com professores, representantes do Executivo, Vereadores e Entidades da cidade visando estudos que permitam a definição da grafia do nome da cidade: Mojimirim, Moji Mirim ou Mogi Mirim, dando ciência do deliberado para os cidadãos Professor José Flávio Juliani Citélli e Professor Sérgio Romanello Campos. As Professoras Célia Ribeiro Cerávolo e Cármen Lúcia Bridi, respectivamente Secretária e Presidente do Conselho Municipal de Cultura, assinaram o Ofício nº 19, de 20.12.01, respondendo à Vereadora que o Conselho havia ouvido os dois lados da questão e estava estudando o assunto, solicitando que a Câmara aguardasse a manifestação do Conselho de Cultura antes de estabelecer qualquer obrigatoriedade a respeito.</p>
<p>Em 25 de novembro de 2001, foi apresentado o Requerimento nº 298, de lavra do então Vereador Pastor Nélio Alves da Silva, que versou sobre a adoção nos documentos oficiais do Legislativo a forma “Mogimirim”, estendendo-se também para as escolas municipais e estaduais da cidade e dando ciência do deliberado pela Casa ao Professor José Flávio Juliani Citélli. No rol dos considerandos, há um que diz: “A raiz “mógis” significa dificuldade, impossibilidade, má vontade. Isso contraria a índole e as características fundamentais do povo da cidade”. Tal propositura foi oficiada aos diretores e diretoras dos estabelecimentos de ensino, os quais passaram a adotar a forma “Mojimirim”, a mesma proposta pelos gramáticos e dicionaristas do Brasil. Os Vereadores Rogério Antônio Esperança e José Otávio Franco de Carvalho protocolaram Requerimento nº 325/01 solicitando o adiamento da discussão e votação do Requerimento de Nélio por noventa dias. Tal intento não obteve êxito; foi rejeitado por 12 votos contrários e 4 votos favoráveis dos nobres pares e a matéria doía foi aprovada por unanimidade dos Vereadores em sessão ordinária de 3 de dezembro e 2001.</p>
<p>O Diretor-Geral da Câmara, Bel. Valter José Polettini, responsável pelos documentos do Legislativo, manifestou-se sobre o Requerimento nº 298/01, argumentando que não mudaria a forma de grafar “Mogi Mirim” nos documentos da Casa, porque não havia lei que assim o determinasse, lembrando que o Requerimento do Vereador foi mera orientação, não tinha força de lei e, portanto, não era obrigatório o seu cumprimento pelos funcionários ou pelos cidadãos. Frisou que os documentos históricos da cidade datavam de 1.751, com a criação da Paróquia de São José de Mogi Mirim a grafia ali contida é “Mogi Mirim”, e que não iria desrespeitar os documentos antigos, relíquias da cidade. Além do mais, a Câmara possui quinhentos mil documentos microfilmados, todos com a grafia “Mogi Mirim”.  E disse mais: “A idéia do requerimento partiu de um cidadão que se sentiu lesado em sua pretensão; ao invés de buscar ajuda no Poder Judiciário, dirigiu-se ao Poder Legislativo, fazendo-se representar pelo Vereador Pastor Nélio”.</p>
<p>A discussão começou a tomar corpo.</p>
<p>O Jornal “O Impacto” (edição de 11.11.01, página 5A) publicou artigo subscrito pelo Professor José Flávio Juliani Citélli, denominado “Trajetória de um Cidadão Mojimiriano”, onde o personagem vê  escrito o “j” em tudo o que diz respeito ao nome da “Cidade Simpatia”, desde a sua certidão de nascimento, até a de óbito.<br />
O escriturário Manoel Lorenzetti de Mattos, em seu documento de 18 de dezembro de 2001, não se aquietou ao ler os considerandos, quando se refere ao “Mógis”, rebateu: “Os gregos não participaram da colonização de nosso País ou da fundação de nossa cidade.”  Além do mais, citou as leis federais nº 2.623, de 21.10.55 e nº 5.765, de 18.12.71, que, no item 42, garante: “Os topônimos de tradição histórica secular não sofrem alteração alguma em sua grafia, quando já estejam consagrados pelo uso diuturno dos brasileiros.”</p>
<p>O “Anuário de Mogi-Mirim”, de 1951, trouxe artigo do Professor Silveira Bueno, Catedrático da Filosofia Portuguesa da Universidade de São Paulo. Em longo estudo, conclui: “Ora, os eruditos citados, em toda a tradição gráfica do Brasil, desde Anchieta, portanto, toda a literatura nacional, empregaram sempre “g” e não “J”, escrevendo Mogy, e nunca Moji. O tupi-guarani é tão estrangeiro ao português, mormente ao de Portugal, quanto o é o inglês, o alemão. Por que para essas duas línguas há tolerância e não existe a mesma para o idioma originários dessas terras? Logo, podemos conservar não só a forma “Mogi” mas também a primitiva – “Mogy”. Todos os que pressurosamente adotaram a simples recomendação dos videntes de Lisboa, devem reconsiderar a sua pressa e voltar ao que sempre foi da nossa tradição gráfica: “Mogy” ou, quando muito, “Mogi”. Que o Sinai de Lisboa referva de indignação e novos Moisés nos apresentem outras Tábuas da Lei, que estas que nos deram não são católicas, mas heréticas. Ergam suas vozes de protesto pela desfiguração do nome tradicional de seus lugares natais, continuando a escrever como sempre escreveram seus avós: Mogy Mirim, Mogy Guassu e Mogy das Cruzes.” – desafiou o Professor Silveira Bueno.</p>
<p>A Professora Cleuza Terezinha Mistro do Amaral estudou os documentos históricos e apurou:</p>
<p style="padding-left: 30px;">“- entre 1647 e 1650 – Mogi dos Campos;<br />
- em 1751 – Freguesia de São José de Mogi-Mirim (com hífen);<br />
- em 1769 – Vila de São José de Mogi-Mirim (com hífen);<br />
- em 1949 – Mogi-Mirim (com hífen).<br />
- jornais que circularam a partir de 1875 – “O Mogiano”, “A Gazeta de Mogi Mirim”, “O Mogyano”, “A cidade de Mogy Mirim””</p>
<p>A professora publicou artigo em “A Comarca” (edição de 19.10.96), e nele concluiu: “Os especialistas não têm opinião unânime e dificilmente a têm sobre diversos aspectos lingüísticos, uma vez que a linguagem é uma atividade humana, histórica e social, e não particular. (&#8230;) É necessário que preservemos as características do nome, assim como está nos documentos da Prefeitura Municipal e da Câmara Municipal.”</p>
<p>O Professor José Flávio Juliani Citélli publicou outro manifesto, desta vez endereçado aos jornalistas da cidade, lembrando-lhes: “É dever do professor, da imprensa e de todos os envolvidos no processo de informação – e formação – não sonegar ao cidadão o direito democrático de se esclarecer a respeito dos fatos de sua língua. As gramáticas e dicionários devem sempre ser consultados, em caso de dúvida. Só através dos mesmos a língua se estrutura, se mantém longe do caos e dos regionalismos gráficos que uma falta de normatização e orientação acarretaria. Só aos gramáticos e dicionaristas compete abonar o bom e correto uso do léxico de qualquer língua.” Vale esclarecer que os dicionários “Novo Aurélio”, “Houaiss”, bem como os gramáticos Cândido de Oliveira, Domingos Paschoal Cegalla, Celso Pedro Luft, Luiz Antônio Sacconi, Almir Moreira, Faracco e Moura, Ulisses Infante e  Hermínio Sargentim admitem “Mojimirim” como a única forma correta.  “O resto é erro de ortografia.” – aponta o Professor Flávio Citélli, em documento endereçado à dirigente Regional de Ensino de Mogi Mirim, Professora Sueli Aparecida Sobotka Cavenaghi, em 2002.</p>
<p>Em reunião ordinária de 6 de maio de 2002, o Conselho Municipal de Cultura, pelo então Presidente, Antônio Matsumori, resolveu pronunciar-se em parecer, no qual  defendem a manutenção da grafia “Mogi Mirim”. Tal documento, aprovado pelos 19 conselheiros titulares, foi elaborado com fundamento em análises de documentos históricos, interpretação de professores da Língua Portuguesa, de historiadores, e também da interpretação do item 42 da reforma ortográfica de 1943, que prevê a preservação de topônimos – nomes de localidades – seculares e tradicionais, se opondo à tese apresentada pelo Professor Flávio Citélli. Este, por sua vez, manifestou-se, dizendo que a interpretação dos membros do Conselho foi equivocada.</p>
<p>O Jornal “O Impacto” (edição de 12.5.02, na página 6A) descreve: “O professor também criticou os integrantes do Conselho de Cultura, ao garantir que o grupo não possui competência para analisar o tema. ‘Talvez não seja nem competência do Município. Antes de se fazer qualquer reunião, a Câmara deveria consultar o Judiciário para verificar se é legal legislar sobre ortografia.’”, ponderou.”</p>
<p>O Conselho  Municipal de Cultura foi criado pela Lei nº 2.088, de 2 de outubro de 90, e tem por atribuição a proteção e preservação dos bens culturais, históricos e tradicionais de Mogi Mirim, incluindo-se, nesse aspecto, a nomenclatura da cidade. Para exarar o parecer, baseou-se nas pesquisas feitas nos documentos históricos, nos documentos da Câmara, na reforma ortográfica federal de 1943, na Academia Brasileira de Letras, no Artigo II, itens 9 e 10, no Artigo XI, item 42 da reforma ortográfica de 1943,  nos mestres e filólogos Napoleão Mendes de Almeida, Batista Caetano, Teodoro Sampaio e Otoniel Motta, conforme publicado por “O Impacto”.</p>
<p>O parecer do Conselho de Cultura gerou controvérsias. Para rebatê-lo, o jornal “O Impacto” (edição de 19.5.02, às folhas 6A), publicou artigo do Professor José Flávio Juliani Citélli, representando 192 professores das escolas estaduais, municipais e particulares da cidade, defendendo a grafia “Mojimirim”. Publicou, ainda, artigo do Advogado e Professor Ermando Guimarães Júnior, que conclui: “A Comissão (sic) de Cultura e a Câmara Municipal, com relação à população desta cidade, pode recomendar a forma Mogi Mirim com“g” e em duas palavras, devido à tradição, não obrigar, impor que todos escrevam assim, por lhe faltar competência para isso.”</p>
<p>Em Mogi Guaçu, foi protocolado, em 3.4.1989, projeto de lei nº 23/89, do Vereador Adalberto Sidney H. Falsetti, versando sobre a oficialização do nome “Mogi Guaçu”. Após longa tramitação, o Prefeito Engenheiro Walter Caveanha editou a Lei nº 2.722, de 20.3.1991, dispondo sobre o nome oficial “Mogi Guaçu”, encerrando-se a discussão.</p>
<p>Em Mogi Mirim, a Vereadora Professora Maria Helena Scudeler de Barros, então Presidente da Câmara, convidou os interessados para uma reunião na Câmara, em 22 de maio de 2002. Convites foram emitidos e entregues para a Delegacia de Ensino, para a Diretora das Faculdades Santa Lúcia,  Departamento Municipal de Educação e Cultura, Conselho Municipal de Cultura, imprensa, historiadores, Bancadas de partidos políticos, padres e artistas da cidade, entidades de classe e serviços, bem como para a população em geral. Na ocasião, o Professor José Flávio Juliani Citélli entregou abaixo-assinado de 192 professores de várias escolas da cidade, solicitando que fosse mantido o conteúdo do Requerimento nº 298/01, e que as escolas pudessem grafar “Mojimirim”, como consta dos dicionários, já que, conforme frisa: “formadores que somos de gerações mojimirianas, temos a obrigação de saber, como bem o disse Rui Barbosa, que ‘querer escrever ou falar bem uma língua, sem ter um bom dicionário e uma boa gramática, é querer alcançar os fins sem ter os meios.’”</p>
<p>A reunião durou mais de três horas e meia e os defensores das formas “Mojimirim” e “Mogi Mirim” apresentaram seus argumentos, mas conclusão nenhuma foi ratificada. Os ânimos começaram cordiais, mas ferveram durante a explanação das duas facções encabeçadas, respectivamente, pelo Professor José Flávio Juliani Citélli e Nelson Patelli Filho.</p>
<p>O primeiro expôs dicionários abertos e cartazes com exemplos de palavras, atestando a tese defendida pelo professor: “Se os dicionários não servem para mostrar a forma correta da escrita do nome da cidade, que se faça um grande cerimonial na praça central e se queime tudo em uma grande fogueira. Estou defendendo como professor.O dicionário ensina como escrever mesa e cadeira, mas não Mojimirim? ” A sua principal posição é a de que ocorra uma normatização da forma, para que os docentes em sala de aula não tenham que enfrentar situações como a de explicar a diferença entre o escrito em dicionários e o modo que está nos documentos.</p>
<p>O clima esquentou quando o segundo, Nelson Patelli Filho, se apresentou como historiador, não como membro do Conselho Municipal de Cultura. Defendeu a grafia “Mogi Mirim” e citou Ernani Calbucci, que defendia a escrita da maneira costumeira e afirmou: “Nessa Casa de Leis nenhum documento foi escrito sem ser com a forma usual.”</p>
<p>O escriturário Manoel Lorenzetti de Mattos, ex-Vereador, levantou a questão de que os documentos escritos  Mogi com “g” somam mais de quinhentos mil, todos da Casa Legislativa, de empresas, igrejas e escrituras públicas de cartórios e questionou: “Qual será o custo, em caso de mudança?” O Professor Flávio Citélli o tranqüilizou, dizendo que, a partir na normatização, não haverá efeito retroativo.</p>
<p>A reunião colocou em rota de colisão os docentes de História e de Língua Portuguesa; os primeiros se apóiam em documentação história e defendem o “g”, os segundos, em regras da legislação na área e defendem o “j”. O professor Sérgio Romanello de Campos, historiador e pesquisador, lamentou que os defensores do “j” tivessem relegado a história a segundo plano e, discutindo a questão legal, defendeu que a própria convenção ortográfica permite exceções para os nomes tradicionais e seculares. O Professor Sérgio Romanello de Campos citou para o jornal “O Impacto” (edição de 23.5.02, página 3): “Estou bestificado. A partir de agora adotarei o comportamento de um Deus do Olimpo, indiferente.” Em seu parecer, datado de 24 de maio de 2002, o historiador e Professor Sérgio Romanello Campos  aponta a exceção referente aos “topônimos de tradição histórica secular, que não sofrem alteração quando já consagrados pelo consenso diuturno dos brasileiros”. – item 42 do documento aprovado pela Academia Brasileira de Letras aos 12.8.1943. Exemplificando, citou: “O Dicionário Aurélio, na 1ª edição de meados de 1980, compactua com a grafia “Mogiano”. A partir da 2ª edição, mudou diametralmente para “Mojiano”, entrando em rota de colisão, passando como motoniveladora sobre aquele item 42 das “Instruções” da ABL. O “consenso diuturno dos brasileiros” refere-se às condições existentes e satisfeitas já naquele distante ano de 1943. O item 42 não preceituou que aquele consenso necessitaria de renovação periódica, anual, nem semestral&#8230;” – ironizou  Sérgio Romanello, que transcreveu o venerável documento “Primeiro Livro de Atas de Mogi-Mirim &#8211; 1770” com fidedignidade e profundidade.</p>
<p>A professora de Português Cleuza Terezinha Mistro do Amaral apontou que a posição do Professor Flávio Citélli foi individualista e disparou: “Como professora, poderia conseguir assinaturas de 400 pessoas”, se referindo ao apoio de 192 professores que apóiam Citélli. Ela sugeriu uma pesquisa junto à população para que seja definida a grafia do nome do município. “Os gramáticos e dicionaristas têm argumentos diferentes sobre a grafia, não são unânimes, nem poderiam  ser, em se tratando de ciência humana. Se eles não são unânimes, temos que levar em conta as questões ortográficas, somadas às históricas, às jurídicas e também às de ordem prática, que implicariam em gastos com mudanças na documentação de diversos órgãos públicos e privados.” E finalizou, em seu manifesto de 22 de maio de 2002: “Que prevaleça o bom senso e o espírito democrático.”</p>
<p>A professora de história Maria Regina B. Sequeira Marques colocou: “Vivo em um país com grandes problemas, mas ao professor cabe ensinar corretamente aos seus alunos. Se existe uma lei  que diz que palavras de origem indígena devem ser escritas com “J”, elas devem ser escritas com “J” e ponto.” – declarou para “A Comarca” (edição de 25.5.02., página B4).</p>
<p>Os defensores do “g” se muniram com documentos antigos da cidade, quando a grafia usada era Mogy Mirim.</p>
<p>Os membros da Academia Guaçuana de Letras, Professores Milton Franco de Faria e Mauro Martins Santos, entendem que seja ser grafado “Moji Mirim”, sem hífen, separadamente. Curioso, já que naquela cidade a lei determina “Mogi”.</p>
<p>Para a Presidente da Câmara, Vereadora Professora Maria Helena Scudeler de Barros, a reunião foi esclarecedora, mas não acredita que o assunto tenha se esgotado. “O consenso é difícil.”</p>
<p>O Presidente do Conselho Municipal de Cultura sugeriu algumas normas para o próximo debate, em manifesto datado de 24.5.02, onde estipula tempo igual de participação para as duas facções, coíbe apartes e manifestação publicitária ou de marketing, como faixas, cartazes, panfletagens antes ou durante e reunião. Depois dela, pode.  Para não haver abusos de tempo, os oradores serão avisados com dois minutos antes do término do tempo regulamentar: quinze minutos, no máximo.</p>
<p>O jornalista Mauro Adorno, diretor de “O Impacto” se manifestou em sua coluna, (edição de 26.5.2002, folhas 4A), relatando que Mogi das Cruzes já se chamou Mogy Mirim pelo mesmo motivo que aqui – pequeno rio das cobras – como os indígenas se referiam ao Tietê, e valeu-se das instruções aprovadas pela Academia Brasileira de Letras no que tange “à forma consagrada, pelo consenso diuturno dos brasileiros” e, como exemplo, apontou o topônimo Bahia como referência ao Estado. Defendeu um plebiscito para colocar termo ao debate, caso os historiadores e professores não chegassem a um denominador comum. Para ele: “mudar o nome parece-nos dispensável e de um custo incalculável. Em suma, vamos conhecer o nome certo para passarmos historicamente às futuras gerações, mas mantendo a ortografia atual, sob pena de voltarmos a discutir farmácia com “ph”.” – ironizou Mauro Adorno.</p>
<p>Em 27 de maio de 2002, o lingüista, etimólogo, filólogo, professor e advogado Frederico Werner Lorentzen Joesting se manifestou por escrito, já que não pode comparecer à reunião da Câmara: “Língua é também instrumento de poder, de dominação e de opressão. (&#8230;) Provindo de usos arraigados e de enorme riqueza, mas diferenciados geolingüística ou sociolingüisticamente, é impensável a diminuição ou alteração de variantes nos usos terminológicos, sobretudo pátrios, científicos e eruditos (&#8230;) aumentando o hiato na comunicação e o permanente cultivo artificial de um campo classificatório perigoso, o do Certo e o do Errado. Portanto, cada variante, ante sua unicidade, inequivocidade e singularidade, como a em testilha, deve ser suportada, documentada e cotejada entre todos. ”</p>
<p>O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pelo Ofício nº 493, de 13.11.2003, subscrito pelo Presidente Eduardo Pereira Nunes, comunica que a instituição continuará a grafar o nome da cidade com base na Lei nº 8.092, de 28.2.64, alterada pela Lei nº 8.550, de 30.12.91, que dispõem sobre o quadro territorial e administrativo do Estado, com a grafia “Moji Mirim”.</p>
<p>Entretanto, é a Lei nº 8.050, de 31.12.63 que dispõe sobre o Quadro Territorial, Administrativo e Judiciário do Estado e não foi citada. Realmente, consta dela “Moji Mirim”. No ofício nº 54, de 10.4.2007, subscrito pelo Francisco Garrido Barcia, Chefe da Unidade Estadual do IBGE em SP,  se vê a grafia “Moji-Mirim”, com hífen.</p>
<p>Em 28 de julho de 2005, assinando como Presidenta do Conselho Municipal de Cultura, a Professora Maria Regina B. Sequeira Marques, chamou a atenção de Manoel Lorenzetti de Matos pela publicação deste no panfleto Malotex, intitulado “Mogi: por que com G?” contendo os considerandos e sua posição a favor da grafia “Mogi Mirim”. Disse a ele que respeitasse as decisões do Conselho Municipal de Cultura, que poderiam divergir, a cada gestão.</p>
<p>Em seus escritos, a Professora Regina Marques cita que Manoel Lorenzetti de Mattos não era Conselheiro de Cultura em 2002 e não faz parte do Conselho de Cultura atualmente, e finaliza: “mesmo que não haja discordância, deve ser sempre o respeito às outras opiniões, principalmente quando muito bem fundamentadas; as transgressões podem e devem ser resolvidas no âmbito judicial.”</p>
<p>Teve resposta. Em 20 de agosto de 2005, Manoel Lorenzetti de Mattos  endereçou carta à Professora Regina Marques explicando que se baseou no item 42 “forma consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros” e que nunca havia dito nada que viesse a desacreditar os atuais membros do Conselho de Cultura, e encerrou, amistosamente: “Foi muito bom a senhora ter enviado a carta, transmitiu bons ensinamentos. Confirmou o dinamismo, dedicação, eficiência, muito conhecimento e seu grande empenho pelas questões de nossa cidade. Seria bom conversarmos, para uma troca de idéias sobre a questão. Mas envio a senhora cópia do item 42 (Mogi com G)e art. XIV, item 45 (separado por hífen) da Reforma Ortográfica.”</p>
<p>Assisti a tudo de muito perto. Eu mesma consultei o Professor Pascoale Cipro Neto, que me respondeu por e-mail, através da professora-assistente Priscila Figueiredo, em 30 de maio de 2003: “Os dicionários Houaiss, Aurélio e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa ignoram solenemente a forma “Mogi Mirim”. Sabemos que essa é uma polêmica. Napoleão Mendes de Almeida, no “Dicionário de Questões Vernáculas”, observa que, embora seja oficializada pela língua portuguesa, não haveria razão plausível para passar a escrever Moji em vez de Mogi. Seja como for, a grafia registrada pelos dicionários mais respeitados e que têm valor de lei é mesmo “Mojimirim”.</p>
<p>No “Dicas de Português” de 21.3.06, coluna diária do UOL, mantida pelo jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do grupo Folha de S. Paulo, Paulo Ramos, descreve: “Qual a grafia dessa cidade do interior de São Paulo  (162 km da capital)? Não há propriamente uma resposta. Há respostas, cada uma baseada num ponto de vista. Alguns gramáticos defendem que a cidade deveria ser grafada com “j” por herança de línguas indígenas. É por isso que escrevemos “pajé” e “cajá. O problema é que, na cidade, o nome é escrito com “g” e sem hífen: Mogi Mirim. O primeiro documento a mencionar essa versão é de 1º.11.1751. Em 1769, o registro de emancipação mencionava a criação da Vila de São José de Mogi Mirim. Quando se tornou município, simplificou-se o nome: Mogi Mirim. Sempre com “g” e sem hífen. Numa tentativa de eliminar dúvidas, o Conselho Municipal de Cultura definiu, em 2003, a forma “Mogi Mirim” como a oficial. O argumento é que a história da cidade devia ser respeitada e preservada.”</p>
<p>Prosseguindo, Paulo Ramos disse: “Pode-se contra-argumentar que uma decisão municipal não pode se sobrepor à ortografia nacional. Nesse caso, a forma seria “Mojimirim” pelo menos é o que registram os dicionários “Aurélio” e “Houaiss”. Curiosamente, é a menos utilizada e a que causa mais estranhamento quando lida. O Manual da Redação da Folha de S. Paulo optou, num primeiro momento, pela forma “Mogi-Mirim”. Um comunicado interno reavaliou a decisão. Hoje, usa-se “Mogi Mirim”, com “g” e sem hífen. É a grafia também adotada pelo UOL. Minha opinião: “Mogi Mirim”. Mas respeito quem defende o contrário.” –  encerra Paulo Ramos.</p>
<p>Infelizmente, Sérgio Romanello Campos, faleceu aos 24 dias de outubro de 2004, deixando desamparados os defensores do Mogi com “g”, que, em novo embate, deverão fortalecer seus argumentos, certamente desfalcados, sem o reforço e a classe do tão respeitado professor e historiador.</p>
<p>Ambos os apontamentos estão anexados no Processo nº 93, de 2002, nos arquivos da Câmara Municipal de Mogi Mirim, que capeia a Certidão nº 62, de 2001, subscrita pela Presidente, Vereadora Professora Maria Helena Scudeler de Barros, que certifica “não haver lei municipal sobre a grafia do nome da cidade”.</p>
<p>Não há lei e não haverá tão cedo, vaticino, pois é questão que pode melindrar futuros políticos e, nesse caso, talvez seja melhor aos agentes políticos não levantarem a poeira, a um ano das eleições municipais.</p>
<p>Depois, quiçá.</p>
<p>Mogi Mirim, 2003.</p>
<p>Rosana Julia Megiatto Bronzatto</p>
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		<title>Capítulo 66 – Um funeral e um casamento</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 20:29:58 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Após receber a notícia do falecimento de minha primeira mulher, Zulmira, no Hospital das Clínicas de São Paulo, acompanhei o seu sepultamento no Cemitério de Mogi Mirim, com muito pesar, no jazigo da família Miranda.
Viúvo, me casei com Odete Megiatto, minha companheira de mais de quarenta anos. A cerimônia civil foi em 23 de janeiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após receber a notícia do falecimento de minha primeira mulher, Zulmira, no Hospital das Clínicas de São Paulo, acompanhei o seu sepultamento no Cemitério de Mogi Mirim, com muito pesar, no jazigo da família Miranda.</p>
<p>Viúvo, me casei com Odete Megiatto, minha companheira de mais de quarenta anos. A cerimônia civil foi em 23 de janeiro de 1999, em bela cerimônia ministrada pelo juiz de paz do cartório civil, colega de minha filha Rosana, o Doutor José Alves de Oliveira. Após tanto tempo, eu e Odete realizamos o nosso sonho e agora estávamos legitimamente casados. Minhas filhas e respectivos maridos foram os nossos padrinhos.<span id="more-360"></span></p>
<p>Padre Alberto Velloni nos recebeu na Igreja de Conchal e realizou a cerimônia em 30 de janeiro de 1999, numa bela manhã, na presença de meus filhos e parentes próximos. Eu e Odete oferecemos um churrasco na casa da Ulhoa Cintra e comemoramos a valer nossa duradoura união, agora abençoada pelas leis de Deus e dos homens.</p>
<p>Meu amigo e patrão Ricardinho Piccolomini de Azevedo ainda me permite manter a coluna em seu jornal. Aos sábados, tenho um encontro com todas as famílias mogimirianas através de “Comentários”.</p>
<p>Dia desses levei um susto, tive que ser socorrido em Campinas, no Hospital Albert Sabin, onde recebi eficiente tratamento. Hoje, sinto-me forte novamente, bem-disposto para enfrentar esta minha vida moderna. Estou feliz e realizado, com minha amantíssima esposa Odete e filhos, publicando o meu trabalho semanal em “A Comarca” e deixo o agradecimento aos amigos que me ajudaram a viver e gozar de boa ventura em minha querida terra, Mogi Mirim.</p>
<p>Fim.</p>
<p>Nota da colunista: Pintaca terminou a sua biografia aos 83 anos e não a publicou. Aos 12 de dezembro de 2005, aos 86 anos, após receber toda a assistência, faleceu em Campinas.</p>
<p>Ricardo, o mandachuva deste jornal, permitiu que publicasse a biografia em capítulos e assim venho fazendo desde 3 de novembro de 2007, encerrando hoje um dos trabalhos que mais me proporcionaram prazer nesta vida. Obrigada pela oportunidade, Ricardo.</p>
<p>Estendo os agradecimentos a todos os que colaboraram para elucidar fatos e me manter longe de solecismos graves que o implacável tempo impinge, quando a história adormece. Por isso, pretendo continuar a minha luta para não deixar esmorecer os fatos e já solicitei permissão ao Ricardo para continuar neste canto de página, publicando o imenso arquivo fotográfico de meu querido pai, o Pintaca.</p>
<p>Aos leitores, desejo felicidades e sou grata pelas palavras de incentivo e elogio que recebi. Um forte abraço desta emocionada colunista.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-361" title="Casamento civil em Mogi Mirim, aos 23 de janeiro de 1999" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/66-foto1.jpg" alt="" width="392" height="292" /></p>
<p style="text-align: center;">Casamento civil em Mogi Mirim, aos 23 de janeiro de 1999.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-362" title="Casamento religioso, uma semana depois, em Conchal" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/66-foto2.jpg" alt="" width="640" height="440" /></p>
<p style="text-align: center;">Casamento religioso, uma semana depois, em Conchal.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-363" title="Pintaca, aos 83" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/66-pintaca1.jpg" alt="" width="418" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Pintaca, aos 83.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-364" title="Casamento - Pintaca e Odete" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/66-pintaca2.jpg" alt="" width="345" height="640" /></p>
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		<title>Capítulo 65 – Pitacos na Banda e outros papos</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 20:27:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Recordo-me com doçura das Bandas “União dos Operários”, regida pelo Maestro Leopoldo Ladeira e “Santa Cecília”, mais tarde “União Santa Cecília”, regida pelo Maestro Alberto de Souza Brito. Foram eles dois grandes conhecedores de música.  Mais tarde, veio residir em Mogi Mirim o Tenente Euclides da Cunha, reformado do Exército e maestro de sua corporação.
Com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recordo-me com doçura das Bandas “União dos Operários”, regida pelo Maestro Leopoldo Ladeira e “Santa Cecília”, mais tarde “União Santa Cecília”, regida pelo Maestro Alberto de Souza Brito. Foram eles dois grandes conhecedores de música.  Mais tarde, veio residir em Mogi Mirim o Tenente Euclides da Cunha, reformado do Exército e maestro de sua corporação.<span id="more-356"></span></p>
<p>Com a ajuda da Prefeitura, formou a “Banda dos Meninos”, que deu o primeiro concerto na Praça Rui Barbosa, com enorme sucesso (veja foto no Capítulo 6, publicado em 22.12.07). Com o falecimento deste, assumiu a regência o jovem Carlos Alberto Rodrigues de Lima e, hoje, o coreto é pequeno para acolher os membros da Banda Lyra Mogimiriana.</p>
<p>Uma bela tarde de domingo, estava à porta do Cine São José ouvindo a Banda Lyra Mogimiriana se apresentar. Ao final do concerto, o Maestro Carlinhos Lima atravessou a rua e veio me perguntar: “-E aí, Pintaca, gostou?” Respondi negativamente e expliquei que estava faltando a tuba. Isso o decepcionou, bem sei, (perdão, Maestro) mas não é que na próxima apresentação uma tuba foi introduzida e fez toda a diferença?</p>
<p>Fui presenteado pelo Presidente do Mogi Mirim Esporte Clube, o operante e obstinado Wilson Fernandes de Barros, uma carteirinha de cortesia para ocupar a cadeira coberta de nº 106, à direita da arquibancada. Lá sempre compareço para prestigiar o “Sapão” da Mogiana, que não anda bem das pernas, mas há de melhorar.</p>
<p>Convidaram-me também para integrar a Diretora do Centro de Documentação História “Joaquim Firmino de Araújo Cunha”, onde posso colaborar com alguma coisa de meu arquivo e discutir alguns assuntos culturais com outros ilustres amantes da história de Mogi Mirim.</p>
<p>Amiúde, eu e o grande amigo Clodoaldo de Paiva, hoje Monsenhor, batemos aquele papo gostoso. Como é bom estar rodeado por pessoas despojadas de maldade e ganância; vale a pena cultivar amigos assim.</p>
<p>Nota da colunista: Não percam, na próxima semana, o último capítulo da biografia de Pintaca.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-357" title="Maestro Carlos Alberto Rodrigues de Lima, foto da década de 90" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/65-maestrocarlinhoslima.jpg" alt="" width="611" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Maestro Carlos Alberto Rodrigues de Lima, foto da década de 90.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-358" title="Monsenhor Clodoaldo de Paiva, foto de 1994" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/65-026.jpg" alt="" width="270" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Monsenhor Clodoaldo de Paiva, foto de 1994.</p>
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		<title>Capítulo 64</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 20:24:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Webmaster</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou dobrando o Cabo da Boa Esperança. Daqui para frente, viver é lucro. Saio de casa todas as manhãs para ler o jornal no banco da Praça Rui Barbosa e rever meus amigos. Mogi Mirim é minha eterna paixão. Em 1939, quando tinha apenas vinte anos, a convite de Paulo Januzzi, então Presidente da Societá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou dobrando o Cabo da Boa Esperança. Daqui para frente, viver é lucro. Saio de casa todas as manhãs para ler o jornal no banco da Praça Rui Barbosa e rever meus amigos. Mogi Mirim é minha eterna paixão. Em 1939, quando tinha apenas vinte anos, a convite de Paulo Januzzi, então Presidente da Societá Italiana de Mutuo Soccorso di Mogy-Mirim, fui aceito como sócio naquela entidade que, por intervenção do governo federal, passou a chamar-se Associação Mogimiriana de Beneficência. Lá atuei como Secretário por muitos anos, acumulando funções de programador e gerente do Cinema São José, o qual, mais tarde, foi arrendado para duas casas comerciais, uma delas muito poderosa, cujas araras e prateleiras preenchem o grande espaço por onde já atuaram Randolph Scott, Sophia Loren, Gina Lollobrigida, John Waine e outros hollyoodianos de classe, glamour e qualidade. Não sou mais o gerente do Cine, mas continuo como membro da Associação Mogimiriana de Beneficência.<span id="more-351"></span></p>
<p>Tenho um formidável laboratório nos fundos de minha casa. É lá que mantenho organizado o arquivo e, nos fins de semana, munido de uma caipirinha bem lavrada para afinar o sangue (aviando a receita fabulosa do finado amigo, Doutor Toninho Albejante, que deve estar rindo muito, agora), exibo para a platéia de um só os antigos filmes 16 mm. As filhas Rosana e Graziete são casadas e vêm à minha casa, aos domingos, e aparecem para dar uma espiada no que estou projetando.</p>
<p>Gozo de muito boa saúde, devido aos exercícios pesados da época do Batalhão da Força Expedicionária Brasileira, à minha bicicleta da época dos Correios e Telégrafos e ao futebol, onde joguei como bom “beque de espera”, hoje, zagueiro central, no Bola Preta Futebol Clube e outros times.</p>
<p>Em setembro de 1986, recebi ofício subscrito por Albino Bino Peres de Barros, então Presidente da Câmara, comunicando que seria agraciado com a Medalha João Teodoro, comenda maior da cidade. A indicação foi do Vereador Vanderlei Andrade, aprovada pelos demais Conselheiros e a Sessão Solene deu-se em 22 de outubro daquele ano, sendo o orador oficial da Câmara o Professor Benjamim Quintino da Silva, cunhado de meu colega de Exército, Orlando Cestaro. O Professor Quintino, em discurso brilhante e emocionante, assim falou sobre mim: “Nobre Orlando Bronzatto, Pintaca, que aos tenros sete anos de idade já se fazia aprendiz de tipografia e se iniciava na arte de articular o verbo impresso e aos vinte e três anos integrava a Força Expedicionária Brasileira. Sua gente mogimiriana se orgulha de sua presença em todos os setores de nossas atividades sociais e, de forma especial, pela sua presença no Conselho Diretor da Associação Mogimiriana de Beneficência, do qual se ausentou apenas durante sua permanência patriótica na FEB. É especialmente no campo da radiodifusão que sentimos sobressair sua figura de pioneiro idealista. Nossa moderna rede de emissoras o reconhece como sua primeira chama audaciosa, que em dias heróicos, libertou a palavra mogimiriana pelas ondas hertzianas da surpreendente e vanguardeira “Rádio-Propaganda Vitória”. Esta Casa reconhece o seu trabalho, regozija-se com seus feitos e exalta seu nome, nobre senhor Orlando Bronzatto.”</p>
<p>Como não me emocionar diante de belíssimas palavras?</p>
<p>Eis que recebo um ofício comunicando que receberei o Título de Cidadão Articulista do Jornal “A Comarca” em 8 de junho de 2000. Aliás, foi uma cerimônia das mais belas. Arthur de Azevedo e seu filho, Ricardo Piccolomini de Azevedo, comemoraram, ao mesmo tempo, o Centenário de “A Comarca”. Para abrilhantar a cerimônia, estiveram presentes os membros da Esquadrilha da Fumaça, os quais receberam o Título de “Heróica Amiga do Povo Mogimiriano”.</p>
<p>As solenidades foram inesquecíveis, momentos de muita alegria em meu emocionado coração.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-352" title="Pintaca sendo recebido na Casa Legislativa pelo Vanderlei Andrade" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/64-pintaca-vanderleiandrade.jpg" alt="" width="512" height="554" /></p>
<p style="text-align: center;">Pintaca sendo recebido na Casa Legislativa pelo Vanderlei Andrade.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-353" title="Professor Benjamim Quintino da Silva" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/64-professorquintino.jpg" alt="" width="346" height="531" /></p>
<p style="text-align: center;">Professor Benjamim Quintino da Silva.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-354" title="Pintaca segurando o diploma da Medalha “João Teodoro”, ao lado de Odete" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/64-medalhajoaoteodoro.jpg" alt="" width="508" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Pintaca segurando o diploma da Medalha “João Teodoro”, ao lado de Odete.</p>
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		<title>Capítulo 63 – Dissabores</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 20:21:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Webmaster</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pintaca e suas Memórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estava no paraíso com toda a família, meus filhos eram unidos e minha amantíssima esposa me acompanhava em todos os eventos. Mas veio o baque: anunciaram que eu não mais seria o gerente do Cine São José. A Associação Mogimiriana de Beneficência resolveu, nesta moderna linguagem corporativa &#8211; otimizar as atividades e agregar parcerias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estava no paraíso com toda a família, meus filhos eram unidos e minha amantíssima esposa me acompanhava em todos os eventos. Mas veio o baque: anunciaram que eu não mais seria o gerente do Cine São José. A Associação Mogimiriana de Beneficência resolveu, nesta moderna linguagem corporativa &#8211; otimizar as atividades e agregar parcerias &#8211; e firmou contrato com duas casas comerciais e outra empresa de cinema, a qual não me chamou para gerenciar. Assim, o prédio da Praça Rui Barbosa seria totalmente arrendado e o acervo da biblioteca “Pedro Paulo Januzzi”, que funcionava no andar superior do cinema, seria transferido para um prédio do Estado, na rua Caiapó, reformado pela Champion Papel e Celulose (hoje International Paper), que abrigaria também a biblioteca pública “Guilherme de Almeida”. Eu fiquei de fora.<span id="more-347"></span></p>
<p>Já aprendi que desgraça pouca é bobagem e outra forte pancada levei, quando os proprietários do jornal “Cidade de Itapira”, Jairo, Jonas e seu filho, Joninhas Araújo, vieram comunicar que não mais necessitariam de meus serviços. Só pude lamentar, pois há muitos anos fui funcionário daquela casa, fiz muitos amigos itapirenses e cito um deles, sem pestanejar: Léo Santos, ótimo fotógrafo, excelente profissional e fiel amigo, com quem muito aprendi.</p>
<p>Em casa, com o tempo livre, só me restou pensar na vida e como são tratadas profissionalmente as pessoas com mais de setenta: colocadas no banco de reservas, sem dó nem piedade, substituídas pela tecnologia e pelos jovens. Não está de todo errado, sempre fui avant-garde, haja vista os projetos que encabecei, todos à frente de meu tempo, mas os idosos deveriam ser mais bem aproveitados. As boas ideias ainda se multiplicam no meu cérebro e não há mais oportunidades para viabilizá-las. O que me faltou – a vida toda &#8211; foi o dinheiro para empreendê-las, e, agora, as ocasiões também se esvaem.</p>
<p>Diante da angústia, da sensação de inutilidade e do ócio, completei o feedback (como estou moderno hoje!) e me deixei levar ao tempo das vacas magras e de muita luta. Remexendo velhos papéis e compromissos assinados, senti tristeza pela antiética do sócio da Rádio Cultura em não quitar o meu devido e minhas comissões; guardo um envelope com os valores de meus descontos e do principal a receber, caso haja dúvidas. Possuo também os recibos de uma das fervorosas campanhas políticas para deputado (1954 a 1971) que somam setenta e oito mil e trezentos cruzeiros, na moeda de então, aguardando o ressarcimento. Nunca vi a cor destes dinheiros, apesar de insistentes apelos feitos às famílias, porque meus dois maiores devedores já partiram para o mundo dos mistérios. Sabem o que fiz? Esgotado pela inglória luta, entreguei os recibos a Deus, para a contabilidade celestial. Lá não há prescrição e, certamente, receberei pelas dívidas. Corrigidas, é claro.</p>
<p>Mesmo posto para escanteio, divirto-me com as palestras que dou nas escolas e nas entidades, para os adolescentes que desejam conhecer melhor a cidade onde vivem. Possuo um documentário feito com base nos escritos do saudoso “Filemon”, Antenor Ribeiro, que narra fatos sobre Mogi Mirim. Depois, projeto um filme chamado “Mogi Mirim na Tela”, com imagens datadas de 1928, documentando a vida social da cidade: carros e vestimentas antigas – paletó, gravata e chapéu – até mesmo no campo de futebol. Mostro as moças vendendo flores aos moços em benefício a alguma entidade, na Praça Rui Barbosa, Cine São José e suas matinês, as saídas das missas dos domingos, entre outras cenas da Mogi Mirim antiga.</p>
<p>Apresento-me, amiúde, no Tiro de Guerra 02-023, para narrar aos soldados as minhas andanças de caserna e lá projeto o documentário “Tiro Mogimiriano 435”, de 1917 até os tempos atuais, e ainda “Duque de Caxias”, um filme 16 mm sobre a vida de tão importante figura.</p>
<p>Como vêem, pus a autopiedade de lado e, com disposição e saúde, mostro o meu trabalho para quem quiser me ouvir e me ver.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-348" title="Palestra ao TG 02-023, que tinha à frente o Sargento (hoje, Capitão) Carlos Roberto Sandy" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/63-125.jpg" alt="" width="640" height="431" /></p>
<p style="text-align: center;">Palestra ao TG 02-023, que tinha à frente o Sargento (hoje, Capitão) Carlos Roberto Sandy.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-349" title="Palestra no colégio Imaculada Conceição, 1995" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/63-129.jpg" alt="" width="640" height="427" /></p>
<p style="text-align: center;">Palestra no colégio Imaculada Conceição, 1995.</p>
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		<title>Capítulo 62 – O elemento surpresa</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 20:18:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Webmaster</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pintaca e suas Memórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Um fato inesperado ocorreu: um belo dia, estava no Cine São José, quando me apareceu um homem, de uns trinta e poucos anos, dizendo ser meu filho.
“Como assim?!” &#8211; fiquei desconcertado. Dona Gercina, funcionária do cinema, presenciou a conversa e abriu a porta para que ele viesse me ver, ao final da sessão de cinema.
Reunimo-nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um fato inesperado ocorreu: um belo dia, estava no Cine São José, quando me apareceu um homem, de uns trinta e poucos anos, dizendo ser meu filho.</p>
<p>“Como assim?!” &#8211; fiquei desconcertado. Dona Gercina, funcionária do cinema, presenciou a conversa e abriu a porta para que ele viesse me ver, ao final da sessão de cinema.<span id="more-344"></span></p>
<p>Reunimo-nos em meu escritório e explicou-me ele que sua mãe havia lhe falado apenas há pouco sobre uma aventura que teve comigo, e que, àquela época, estava noiva, de casamento marcado. Assim, não lhe convinha tornar pública a gravidez e preferiu deixar o tempo passar. Deu-se o enlace nupcial com o noivo e dezesseis outros filhos frutificaram. Todos moreníssimos! Diante da diferença de fisionomia dos irmãos, o belo moço de cabelos louro-avermelhados e belos olhos azuis se dignou a perguntar e investigar por aí sobre sua paternidade, quando a própria mãe, percebendo a movimentação, resolveu quebrar o silêncio e lhe contar alguma coisa sobre a nebulosa história, e que, por ela, nunca, jamais, teria vindo à tona.</p>
<p>Eu ouvia tudo com atenção e, boquiaberto, fui puxando pela memória alguns fatos. Lembrei-me da época em que Zulmira me deixou, levando embora meus preciosos filhos e todos os bens para São Paulo, ocasião em que me hospedei por três anos na pensão do José Mineiro, no andar de cima do Bar ao Ponto (Veja Capítulo 55, publicado em 16.5.09). Na mesma pensão, me apareceu uma simpática moça recém-vinda do Paraná para se estabelecer no Bairro do Tucura e tivemos um affair. Eu estava sozinho e separado, talvez não tivesse conhecimento sobre o noivado dela, ou até soubesse&#8230; já não me lembro mais.</p>
<p>Aquele moço ia me contando o pouco que sua mãe lhe disse e, muito nervoso, disse que resolveu apresentar-se como meu filho, porque se sentia honrado em sê-lo. Explicou que desde 1973 trabalhava na Monroe Auto Peças como mecânico de manutenção hidráulica e pneumática e que havia feito vários cursos técnicos de aperfeiçoamento. Seus olhos brilharam quando falou sobre sua família: a esposa Selma e os quatro filhos. Por fim, disse que passava defronte ao cinema todos os dias e não reunia coragem suficiente para me abordar. Até hoje.</p>
<p>Aquilo me desmontou! De desconcertado, passei a orgulhoso. Muitos outros encontros se seguiram e eu pude conhecer melhor este meu suposto filho, o José Roberto Pedroni, e também Selma e os filhos. Eu não queria constranger ninguém com a certidão pelo exame de DNA, pois que a probabilidade de ele realmente ser meu filho era enorme, tanto quanto o tamanho do problema que se me apresentava: como é que eu ia comunicar o fato à minha esposa, Odete, e aos meus outros filhos?</p>
<p>Senti-me infeliz em pensar que isso poderia abalar a confiança que todos tinham em mim. Pesei os fatos: minhas meninas são maleáveis, raciocinam rápido e entendem qualquer situação, desde que recebam explicações convincentes. Odete me ama e saberá compreender tudo. Será?  Circunstâncias e possibilidades várias&#8230;</p>
<p>Bem, decidi lhes dizer a verdade e nada mais. Reportei a todos a curiosa história e Odete e as meninas me entenderam e me respeitaram. Com a anuência de Odete, levei José Roberto Pedroni até minha casa e deu-se o esperado: uma reunião feliz e cheia de arguições com respostas.</p>
<p>Infelizmente, perdemos José Roberto Pedroni, meu querido filho, em 27 de fevereiro de 1997. Um câncer o acometeu e, após meses de árdua luta, o matou aos 40 anos. Como é triste para um pai ver o seu filho partir! Tivemos pouco tempo de convivência, mas a intensidade de nossa relação foi suficiente para deixar-me aqui, arrasado de saudade.</p>
<p>Apenas 40 anos, ainda um menino, o Zé Roberto&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-345" title="Orlando Bronzatto, seu filho José Roberto Pedroni e Odete" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/62-joseroberto.jpg" alt="" width="579" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Orlando Bronzatto, seu filho José Roberto Pedroni e Odete, na residência de José Roberto, em 1989.</p>
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		<title>Capítulo 61 – Os 5 irmãos</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 20:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Webmaster</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu e minha família estávamos residindo em Mogi Mirim desde 1976. Tudo estava tranquilo e, devagar, meus filhos do primeiro casamento – Antônio Carlos, Paulo César e Regina Lúcia &#8211; foram se aproximando. Paulo foi o primeiro que eu trouxe para casa, num domingo, após o jogo do Mogi Mirim Esporte Clube. Rosana se identificou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu e minha família estávamos residindo em Mogi Mirim desde 1976. Tudo estava tranquilo e, devagar, meus filhos do primeiro casamento – Antônio Carlos, Paulo César e Regina Lúcia &#8211; foram se aproximando. Paulo foi o primeiro que eu trouxe para casa, num domingo, após o jogo do Mogi Mirim Esporte Clube. Rosana se identificou com ele e se tornaram bons amigos. Regina é amiga de Odete, frequentemente se hospeda lá em casa e sinto imenso prazer em recebê-la. Toninho, meu primogênito, não tardará a voltar para vir me ver. Apresento os meus cinco amados filhos.<span id="more-338"></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-339" title="Rosana, Antônio Carlos e Regina" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/61-rosana-antoniocarlos-regina.jpg" alt="" width="640" height="498" /></p>
<p style="text-align: center;">Rosana, Antônio Carlos e Regina</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-340" title="Paulo e filhos (Fábio e Fernanda)" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/61-paulo-filhos-fabio-fernanda.jpg" alt="" width="491" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Paulo e filhos (Fábio e Fernanda)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-341" title="Graziete" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/61-graziete.jpg" alt="" width="384" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Graziete</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-342" title="Regina" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/61-regina.jpg" alt="" width="496" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Regina</p>
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		<title>Capítulo 60 – Quatro passagens para Mogi Mirim</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 20:06:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Eu me sentia muito feliz com minha nova família, residindo em Conchal.  As chateações de início foram se esvaindo, aquele bom (e moralista) povo foi se acostumando à ideia de um casal morar junto sem ter recebido as bênçãos religiosas, embora mantivéssemos uma estreita relação com o Padre Alberto Velloni, pároco local, o que tornava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu me sentia muito feliz com minha nova família, residindo em Conchal.  As chateações de início foram se esvaindo, aquele bom (e moralista) povo foi se acostumando à ideia de um casal morar junto sem ter recebido as bênçãos religiosas, embora mantivéssemos uma estreita relação com o Padre Alberto Velloni, pároco local, o que tornava tudo ainda mais estranho e confuso, aos olhos dos outros. Amávamo-nos muito, eu e Odete, apenas isso.<span id="more-333"></span></p>
<p>Eu continuava viajando pelo circuito regional, para executar o trabalho nas clínicas de repouso Santa Fé e Cristália e no Jornal Cidade de Itapira, na Rádio Cultura de Mogi Mirim e no Cine Paratodos de Conchal. Vivíamos com conforto e dignidade e nada nos faltava.</p>
<p>Às quartas-feiras, ia a São Paulo para fechar contratos com os estúdios da Warner Bros e Metro-Goldwyn-Mayer e agendava cópias dos filmes de sucesso para exibir no Cine Paratodos, de Conchal, e no Cine São José, de Mogi Mirim, do qual eu era o programador. Trazia da capital, todas as semanas, a revista de variedades e fotonovelas chamada “Grande Hotel” para a minha mulher e um gibi do Walt Disney para minha filha, que, ansiosa, me aguardava na calçada e corria para comigo se encontrar, ao me ver chegando com as malas de filmes. Que boa lembrança! Odete era exímia costureira; Rosana Júlia, estudiosa e voltada à literatura. Nas festas de escola, declamava com facilidade os longos poemas que lhe confiava a Diretora Luzia Carlini Gelly, ensinando-lhe as técnicas de memorização e ensaiando a apresentação.</p>
<p>Nove anos mais tarde, em 24 de agosto, nasceu Graziete, minha caçula, que recebeu o nome da avó paterna, Vitalina.</p>
<p>Em 1973, o Cine Paratodos teve as atividades paralisadas, porque a televisão prendia em casa os frequentadores do cinema; sem público, sem sessões. Resolvemos nos mudar para Itapira, porque o trabalho naquela cidade aumentou, proporcionando um bom retorno financeiro e mudamo-nos para lá, onde ficamos por dois anos e meio.  Estava findo o vínculo com a pequena Conchal, “a morada dos rios”, terra que muito me serviu e fui feliz, mas onde jamais voltarei a residir.</p>
<p>As atividades foram se reciclando à medida que a modernização invadia e dominava, e eu não podia deixar cair a peteca. Itapira, “a linda” (cognome perfeito!) nos recebeu muito bem e lá pude desenvolver a contento o meu trabalho. Os irmãos Jairo e Jonas Alves de Araújo me ofereceram meia página do Jornal “Cidade de Itapira”, que aceitei de imediato &#8211; outra oportunidade remunerada em Itapira e, definitivamente, a minha praia, a exemplo de “A Comarca”, onde amava trabalhar.</p>
<p>Mas eu me sentia incomodado e não conseguia esconder que a verdadeira intenção era residir em Mogi Mirim, cidade onde nasci, muito ainda produzia e pela qual sou apaixonado. Fiz isso em 1976 e Odete gostou da idéia, pois ficaria menos distante das irmãs conchalenses. As crianças foram para a Escola Estadual “Monsenhor Nora”, escola-modelo de Mogi Mirim, e tiveram aulas com renomados professores como Enedine Cassiani e Flávio Citélli de Português, Pedrinho dal Rio de Geografia, Alcides Lenhari de Física, Quintino e Conceição de Química, Frederico Heyden, Manuel Silva e Leandro de Matemática. Foram os melhores do seu tempo, a meu ver, alguns ainda profissionalmente ativos, pelo que sei. Ambas graduaram-se pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Mogi Mirim e, depois, cursaram outras faculdades de cidades da região. Graziete se saiu expert na alfabetização, com especialidade em crianças com distúrbio de atenção e deficiência de aprendizagem e trabalhou com afinco, por muitos anos, na escola Carisma, da querida amiga Heloíza de Oliveira Zaniboni.</p>
<p>Rosana e Graziete prestaram concursos públicos e foram classificadas em primeiro lugar, assumindo de pronto os cargos pelos quais se interessaram em disputar. Estas minhas filhas só me propiciam orgulho e admiração. De minha parte e de Odete, sempre as estimulamos com boa leitura, farta informação e o retorno agora se apresentava; não precisávamos nos preocupar demasiado com elas, pois encontraram bons caminhos para trilhar.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-334" title="Graziete, como mascote da fanfarra da EE “Monsenhor Nora”" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/60-mascotedefanfarra.jpg" alt="" width="586" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Graziete, como mascote da fanfarra da EE “Monsenhor Nora”.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-335" title="Primeira comunhão de Graziete, ao lado dos pais" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/60-primeiracomunhao.jpg" alt="" width="470" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Primeira comunhão de Graziete, ao lado dos pais.</p>
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		<title>Capítulo 59 &#8211; O retorno</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 20:02:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Webmaster</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu estava feliz com minha companheira, Odete Megiatto, a bela moçoila conchalense cujo coração arrebatei, e vivíamos felizes em Campinas, no Bairro Guanabara. Eu viajava a trabalho feito um louco pelo circuito Mogi Mirim, Itapira, Artur Nogueira e Conchal.
Um belo dia, ela me informou que estava grávida e não sabia quais providências tomar. Eu disse: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estava feliz com minha companheira, Odete Megiatto, a bela moçoila conchalense cujo coração arrebatei, e vivíamos felizes em Campinas, no Bairro Guanabara. Eu viajava a trabalho feito um louco pelo circuito Mogi Mirim, Itapira, Artur Nogueira e Conchal.</p>
<p>Um belo dia, ela me informou que estava grávida e não sabia quais providências tomar. Eu disse: “Fácil, minha querida, vamos morar juntos em Conchal ou Mogi Mirim, não percamos esta oportunidade de ouro.”<span id="more-328"></span></p>
<p>Pensamos na confusão que isso poderia gerar, na falação dos diabos e nas feras que teríamos que enfrentar. O que poderia se esperar de uma cidade pequena, cujos habitantes eram conservadores? A situação não era boa: a família Megiatto sempre havia sido contra a nossa união e tentou afastá-la de mim, mandando-a residir em Campinas, com Iracema, sua irmã, e Benedito. Eu a encontrei por lá, ficou mais fácil aos meus propósitos e estávamos juntos e felizes. Como poderíamos voltar a conviver com os parentes, sem parecer provocação? Bem, ela sentia falta dos irmãos, cunhados e, sobretudo, da mãe, Júlia. Seu pai, Luís Megiatto, já havia falecido.</p>
<p>De minha parte, desejava gastar menos, viajar menos e descansar mais; o retorno residencial para Mogi Mirim – ou mesmo Conchal – me propiciaria mais tempo livre para ela e para o bebê que estava chegando. O risco estava calculado e resolvemos ir em frente. Além do mais, a vinda de um novo ser faz milagres, bem se sabe, e resolvemos apostar nisso. Eu estava muito feliz com tudo isso.</p>
<p>No dia seguinte, fui a Conchal mais cedo, aluguei uma casa a três quadras do centro e voltei a Campinas com as chaves. Iracema e Benedito nos questionaram: “Vocês aguentarão a pressão, depois do que lhes aconteceu? Olhem bem, porque o moralismo por lá é de estraçalhar qualquer cristão!”</p>
<p>Esperançosos, respondemos: “Claro que sim, com a ajuda de Deus, tudo dará certo. Precisamos ficar onde podemos ser felizes, trabalhar e criar nossos filhos com paz e respeito. Não burlamos a lei, somos desimpedidos e apenas não podemos nos casar, por enquanto, já que não há o divórcio instituído no Brasil. Apenas vamos morar juntos. Se isso é ofensivo aos conchalenses, não podemos fazer nada e não devemos satisfação a ninguém. Além do mais, temos saudade dos familiares e amigos. Não se esqueçam que o Padre Alberto Velloni é muito amigo dos Megiattos e vai nos abençoar com sua palavra rica e contemporizadora. Dona Júlia há de nos receber bem, sempre entendeu a nossa situação.”</p>
<p>Dias depois, estávamos instalados em Conchal aguardando a chegada do bebê. Dona Júlia nos recebeu muito bem, as irmãs de minha mulher começaram a se aproximar, a frequentar a nossa casa e tudo foi se encaixando. Os habitantes da cidade, de início, estranharam e especularam, mas soubemos colocá-los em seus lugares: a receita, neste caso, é não dar satisfações, falar o menos possível e mostrar quão felizes éramos. Corria o ano de 1963 e, aos cinco dias de junho, nasceu nossa filha Rosana. Em homenagem à avó materna, resolvemos anexar Júlia e foi com Rosana Júlia que a paz entre os familiares voltou a reinar.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-329" title="Júlia Orsi Megiatto, mulher à frente de seu tempo" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/59-juliaorsimegiatto.jpg" alt="" width="481" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">Júlia Orsi Megiatto, mulher à frente de seu tempo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-330" title="O casal feliz Orlando e Odete" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/59-orlando-odete.jpg" alt="" width="251" height="640" /></p>
<p style="text-align: center;">O casal feliz Orlando e Odete.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-331" title="Rosana Júlia Megiatto Bronzatto, aos 3 anos" src="http://www.pintaca.com.br/wp-content/uploads/2010/07/59-rosanajuliamegiattobronzatto.jpg" alt="" width="200" height="282" /></p>
<p style="text-align: center;">Rosana Júlia Megiatto Bronzatto, aos 3 anos.</p>
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