Copyright © 2010 Pintaca – Orlando Bronzatto. Todos os direitos reservados. Design Vergon.
Pintaca e suas Memórias
Após receber a notícia do falecimento de minha primeira mulher, Zulmira, no Hospital das Clínicas de São Paulo, acompanhei o seu sepultamento no Cemitério de Mogi Mirim, com muito pesar, no jazigo da família Miranda.
Viúvo, me casei com Odete Megiatto, minha companheira de mais de quarenta anos. A cerimônia civil foi em 23 de janeiro de 1999, em bela cerimônia ministrada pelo juiz de paz do cartório civil, colega de minha filha Rosana, o Doutor José Alves de Oliveira. Após tanto tempo, eu e Odete realizamos o nosso sonho e agora estávamos legitimamente casados. Minhas filhas e respectivos maridos foram os nossos padrinhos.
Continue lendo »
Recordo-me com doçura das Bandas “União dos Operários”, regida pelo Maestro Leopoldo Ladeira e “Santa Cecília”, mais tarde “União Santa Cecília”, regida pelo Maestro Alberto de Souza Brito. Foram eles dois grandes conhecedores de música. Mais tarde, veio residir em Mogi Mirim o Tenente Euclides da Cunha, reformado do Exército e maestro de sua corporação.
Continue lendo »
Estou dobrando o Cabo da Boa Esperança. Daqui para frente, viver é lucro. Saio de casa todas as manhãs para ler o jornal no banco da Praça Rui Barbosa e rever meus amigos. Mogi Mirim é minha eterna paixão. Em 1939, quando tinha apenas vinte anos, a convite de Paulo Januzzi, então Presidente da Societá Italiana de Mutuo Soccorso di Mogy-Mirim, fui aceito como sócio naquela entidade que, por intervenção do governo federal, passou a chamar-se Associação Mogimiriana de Beneficência. Lá atuei como Secretário por muitos anos, acumulando funções de programador e gerente do Cinema São José, o qual, mais tarde, foi arrendado para duas casas comerciais, uma delas muito poderosa, cujas araras e prateleiras preenchem o grande espaço por onde já atuaram Randolph Scott, Sophia Loren, Gina Lollobrigida, John Waine e outros hollyoodianos de classe, glamour e qualidade. Não sou mais o gerente do Cine, mas continuo como membro da Associação Mogimiriana de Beneficência.
Continue lendo »
Eu estava no paraíso com toda a família, meus filhos eram unidos e minha amantíssima esposa me acompanhava em todos os eventos. Mas veio o baque: anunciaram que eu não mais seria o gerente do Cine São José. A Associação Mogimiriana de Beneficência resolveu, nesta moderna linguagem corporativa – otimizar as atividades e agregar parcerias – e firmou contrato com duas casas comerciais e outra empresa de cinema, a qual não me chamou para gerenciar. Assim, o prédio da Praça Rui Barbosa seria totalmente arrendado e o acervo da biblioteca “Pedro Paulo Januzzi”, que funcionava no andar superior do cinema, seria transferido para um prédio do Estado, na rua Caiapó, reformado pela Champion Papel e Celulose (hoje International Paper), que abrigaria também a biblioteca pública “Guilherme de Almeida”. Eu fiquei de fora.
Continue lendo »
Um fato inesperado ocorreu: um belo dia, estava no Cine São José, quando me apareceu um homem, de uns trinta e poucos anos, dizendo ser meu filho.
“Como assim?!” – fiquei desconcertado. Dona Gercina, funcionária do cinema, presenciou a conversa e abriu a porta para que ele viesse me ver, ao final da sessão de cinema.
Continue lendo »
Eu e minha família estávamos residindo em Mogi Mirim desde 1976. Tudo estava tranquilo e, devagar, meus filhos do primeiro casamento – Antônio Carlos, Paulo César e Regina Lúcia – foram se aproximando. Paulo foi o primeiro que eu trouxe para casa, num domingo, após o jogo do Mogi Mirim Esporte Clube. Rosana se identificou com ele e se tornaram bons amigos. Regina é amiga de Odete, frequentemente se hospeda lá em casa e sinto imenso prazer em recebê-la. Toninho, meu primogênito, não tardará a voltar para vir me ver. Apresento os meus cinco amados filhos.
Continue lendo »
Eu me sentia muito feliz com minha nova família, residindo em Conchal. As chateações de início foram se esvaindo, aquele bom (e moralista) povo foi se acostumando à ideia de um casal morar junto sem ter recebido as bênçãos religiosas, embora mantivéssemos uma estreita relação com o Padre Alberto Velloni, pároco local, o que tornava tudo ainda mais estranho e confuso, aos olhos dos outros. Amávamo-nos muito, eu e Odete, apenas isso.
Continue lendo »
Eu estava feliz com minha companheira, Odete Megiatto, a bela moçoila conchalense cujo coração arrebatei, e vivíamos felizes em Campinas, no Bairro Guanabara. Eu viajava a trabalho feito um louco pelo circuito Mogi Mirim, Itapira, Artur Nogueira e Conchal.
Um belo dia, ela me informou que estava grávida e não sabia quais providências tomar. Eu disse: “Fácil, minha querida, vamos morar juntos em Conchal ou Mogi Mirim, não percamos esta oportunidade de ouro.”
Continue lendo »
Antes do Cine Paratodos, eu mantive o serviço de alto-falantes na Praça de Conchal, a exemplo do que implantei aqui em Mogi Mirim e, pelo som da praça, punha para tocar os tangos de Carlos Gardel, oferecendo-os para uma linda moça por quem me interessei. Eu sabia que um espanhol, antigo namorado da jovem, continuava a investir, mas não iria com ela se casar. A linda moça não mais o queria, mas ele continuou a assediá-la assim mesmo e, pior, com a retaguarda dos irmãos dela, que não me aceitavam. Quer dizer: os irmãos dela aceitavam o espanhol endinheirado e sua obscura história, mas não aceitavam a mim, só porque era pobre, desquitado e pai de três filhos. Só por isso? Bem, tinha a meu favor o fato de ser um esforçado trabalhador, dinheiro sobrando, não tinha mesmo.
Continue lendo »
Em Conchal, tinha feito bons amigos. Estava lá trabalhando desde 1955 e minha amizade com o Padre Alberto Velloni me abriu uma porta e oportunidade de negócios. Aproveitei a minha experiência com o SAF “Vitória”, da Praça Rui Barbosa de Mogi Mirim e implantei o mesmo sistema em Conchal, utilizando-me do prédio da Igreja e também do Salão Paroquial.
Aristides Trentin, um grande amigo mogimiriano, era um comerciante excelente e vislumbrou a oportunidade de vender televisores em preto & branco para os conchalenses. Com isso, o serviço de alto-falantes da praça capengou, literalmente, porque os moçoilos de famílias abastadas não saíam mais de casa.
