Pintaca e suas Memórias

Capítulo 66 – Um funeral e um casamento

Após receber a notícia do falecimento de minha primeira mulher, Zulmira, no Hospital das Clínicas de São Paulo, acompanhei o seu sepultamento no Cemitério de Mogi Mirim, com muito pesar, no jazigo da família Miranda.

Viúvo, me casei com Odete Megiatto, minha companheira de mais de quarenta anos. A cerimônia civil foi em 23 de janeiro de 1999, em bela cerimônia ministrada pelo juiz de paz do cartório civil, colega de minha filha Rosana, o Doutor José Alves de Oliveira. Após tanto tempo, eu e Odete realizamos o nosso sonho e agora estávamos legitimamente casados. Minhas filhas e respectivos maridos foram os nossos padrinhos.

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Capítulo 65 – Pitacos na Banda e outros papos

Recordo-me com doçura das Bandas “União dos Operários”, regida pelo Maestro Leopoldo Ladeira e “Santa Cecília”, mais tarde “União Santa Cecília”, regida pelo Maestro Alberto de Souza Brito. Foram eles dois grandes conhecedores de música.  Mais tarde, veio residir em Mogi Mirim o Tenente Euclides da Cunha, reformado do Exército e maestro de sua corporação.

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Capítulo 64

19 de setembro de 2009
Capítulo 64

Estou dobrando o Cabo da Boa Esperança. Daqui para frente, viver é lucro. Saio de casa todas as manhãs para ler o jornal no banco da Praça Rui Barbosa e rever meus amigos. Mogi Mirim é minha eterna paixão. Em 1939, quando tinha apenas vinte anos, a convite de Paulo Januzzi, então Presidente da Societá Italiana de Mutuo Soccorso di Mogy-Mirim, fui aceito como sócio naquela entidade que, por intervenção do governo federal, passou a chamar-se Associação Mogimiriana de Beneficência. Lá atuei como Secretário por muitos anos, acumulando funções de programador e gerente do Cinema São José, o qual, mais tarde, foi arrendado para duas casas comerciais, uma delas muito poderosa, cujas araras e prateleiras preenchem o grande espaço por onde já atuaram Randolph Scott, Sophia Loren, Gina Lollobrigida, John Waine e outros hollyoodianos de classe, glamour e qualidade. Não sou mais o gerente do Cine, mas continuo como membro da Associação Mogimiriana de Beneficência.

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Capítulo 63 – Dissabores

5 de setembro de 2009
Capítulo 63 – Dissabores

Eu estava no paraíso com toda a família, meus filhos eram unidos e minha amantíssima esposa me acompanhava em todos os eventos. Mas veio o baque: anunciaram que eu não mais seria o gerente do Cine São José. A Associação Mogimiriana de Beneficência resolveu, nesta moderna linguagem corporativa – otimizar as atividades e agregar parcerias – e firmou contrato com duas casas comerciais e outra empresa de cinema, a qual não me chamou para gerenciar. Assim, o prédio da Praça Rui Barbosa seria totalmente arrendado e o acervo da biblioteca “Pedro Paulo Januzzi”, que funcionava no andar superior do cinema, seria transferido para um prédio do Estado, na rua Caiapó, reformado pela Champion Papel e Celulose (hoje International Paper), que abrigaria também a biblioteca pública “Guilherme de Almeida”. Eu fiquei de fora.

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Capítulo 62 – O elemento surpresa

Um fato inesperado ocorreu: um belo dia, estava no Cine São José, quando me apareceu um homem, de uns trinta e poucos anos, dizendo ser meu filho.

“Como assim?!” – fiquei desconcertado. Dona Gercina, funcionária do cinema, presenciou a conversa e abriu a porta para que ele viesse me ver, ao final da sessão de cinema.

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Capítulo 61 – Os 5 irmãos

8 de agosto de 2009
Capítulo 61 – Os 5 irmãos

Eu e minha família estávamos residindo em Mogi Mirim desde 1976. Tudo estava tranquilo e, devagar, meus filhos do primeiro casamento – Antônio Carlos, Paulo César e Regina Lúcia – foram se aproximando. Paulo foi o primeiro que eu trouxe para casa, num domingo, após o jogo do Mogi Mirim Esporte Clube. Rosana se identificou com ele e se tornaram bons amigos. Regina é amiga de Odete, frequentemente se hospeda lá em casa e sinto imenso prazer em recebê-la. Toninho, meu primogênito, não tardará a voltar para vir me ver. Apresento os meus cinco amados filhos.

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Capítulo 60 – Quatro passagens para Mogi Mirim

Eu me sentia muito feliz com minha nova família, residindo em Conchal.  As chateações de início foram se esvaindo, aquele bom (e moralista) povo foi se acostumando à ideia de um casal morar junto sem ter recebido as bênçãos religiosas, embora mantivéssemos uma estreita relação com o Padre Alberto Velloni, pároco local, o que tornava tudo ainda mais estranho e confuso, aos olhos dos outros. Amávamo-nos muito, eu e Odete, apenas isso.

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Capítulo 59 – O retorno

18 de julho de 2009
Capítulo 59 – O retorno

Eu estava feliz com minha companheira, Odete Megiatto, a bela moçoila conchalense cujo coração arrebatei, e vivíamos felizes em Campinas, no Bairro Guanabara. Eu viajava a trabalho feito um louco pelo circuito Mogi Mirim, Itapira, Artur Nogueira e Conchal.

Um belo dia, ela me informou que estava grávida e não sabia quais providências tomar. Eu disse: “Fácil, minha querida, vamos morar juntos em Conchal ou Mogi Mirim, não percamos esta oportunidade de ouro.”

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Capítulo 58

11 de julho de 2009
Capítulo 58

Antes do Cine Paratodos, eu mantive o serviço de alto-falantes na Praça de Conchal, a exemplo do que implantei aqui em Mogi Mirim e, pelo som da praça, punha para tocar os tangos de Carlos Gardel, oferecendo-os para uma linda moça por quem me interessei. Eu sabia que um espanhol, antigo namorado da jovem, continuava a investir, mas não iria com ela se casar. A linda moça não mais o queria, mas ele continuou a assediá-la assim mesmo e, pior, com a retaguarda dos irmãos dela, que não me aceitavam. Quer dizer: os irmãos dela aceitavam o espanhol endinheirado e sua obscura história, mas não aceitavam a mim, só porque era pobre, desquitado e pai de três filhos. Só por isso?  Bem, tinha a meu favor o fato de ser um esforçado trabalhador, dinheiro sobrando, não tinha mesmo.

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Capítulo 57

13 de junho de 2009
Capítulo 57

Em Conchal, tinha feito bons amigos. Estava lá trabalhando desde 1955 e minha amizade com o Padre Alberto Velloni me abriu uma porta e oportunidade de negócios. Aproveitei a minha experiência com o SAF “Vitória”, da Praça Rui Barbosa de Mogi Mirim e implantei o mesmo sistema em Conchal, utilizando-me do prédio da Igreja e também do Salão Paroquial.
Aristides Trentin, um grande amigo mogimiriano, era um comerciante excelente e vislumbrou a oportunidade de vender televisores em preto & branco para os conchalenses. Com isso, o serviço de alto-falantes da praça capengou, literalmente, porque os moçoilos de famílias abastadas não saíam mais de casa.

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